domingo, 10 de janeiro de 2010

arrancando um girassol

Foto: Ju P. Neumann


E eu achava que tudo havia passado e nunca mais seria revivido.
Bastou atravessar o rio e senti tudo outra vez.
No forró que tanto aproveitamos nos tempos de faculdade havia pouca diferença. A diferença estava em mim, que agora sou casada e já não aguento mais ficar até muito tarde ( se é que um dia aguentei, fato).
O que se passou comigo no meio da pista de dança num fechar de olhos foi um momento precioso e nostálgico .Enquanto ouvia "quero acordar com os passarinhos, cantar uma canção com sabiá ", vi tudo outra vez:
Luli , a menina moça fazendo sucesso e gastando sua sandália comprada na porta da Puc na saída da Monte alegre.Encolhendo os ombros, os olhos semi cerrados, ao concordar com alguma teoria que ,mal ou bem, eu havia intentado lá mesmo. Eu tinha essa mania de observar tudo e inventar os porquês que me convinham . Ah,Como gostávamos de colocar 'mal ou bem ' numa frase. Dava um sentido de 'tudo é possível' seja lá como. (O fato é que tudo é realmente possível aos vinte anos,mal ou bem).
Marcia explicando ao forrozeiro que não ficaria com ele caso ele a levasse para passear de barco e sendo repreendida no ato. Você dançava de um jeito tão mole que te chamávamos de boneca de pano. A cena inesquecível de vocês duas chegando cobertas de alga , rindo alto e tomando netuno na padaria- as nove da matina.
Crozinha pequena , chorando e de ressaca no dia seguinte da festa, pois eu havia lhe apresentado um menino do qual você não conseguiu se livrar. Acabei percebendo Ká ,que nunca estivemos lá juntas, embora para mim parecesse que sim. É que minhas vivências e as tuas estão definitivamente interligadas pelo fio da juventude.
Você , querida Billy, entrando de vestido rosa de seda da Loja Simultânea. Partindo corações de moços que se julgavam malandros até te conhecerem. Rindo , jogando a cabeça para trás com uma leveza que só você tem.
E quando abri meus olhos e vi que havia liberado todas essas lembranças de um lugar só meu. Independente de atravessar ou não o rio de Caraíva. E me senti tão enriquecida dessas memórias , que meu coração pulsou mais forte. Tão forte que encheu de sangue minhas veias, para novos passsos na pista de dança.
E pude aproveitar o que a vida estava me oferecendo , no presente. O marido que me guiava, as amigas novas que lá estavam, e a vida que se renovava.

4 comentários:

  1. Lezinha, que saudades!!!
    Que lembrancas gostosas de momentos inesqueciveis! Aquela viagem, e todas vcs, sao muito especiais na minha vida!
    Adoro ter noticias vossas atraves dos teus escritos, e esse entao, pra mim, eh especial!
    beijo grande
    Cro

    ResponderExcluir
  2. Amiga, que lindo isso! Estou arrepiada. Nossas historias foram e ainda sao muito especiais. Ainda bem que vcs existem em minha vida e dividem comigo esses momentos magicos e tao dificeis de colocar em palavras, embora nossa amiga Helena, com toda sua emocao, tenha conseguido! Amo vcs. muitos beijos

    ResponderExcluir
  3. Lindo amiga, consigo fechar os olhos e ter a sensação!!!
    Tanta coisa de lá de pra cá, mas a sensação permanece!!!
    Nunca estivemos juntas lá, mas vivemos as historias umas das outras com tanta intensidade...
    Saudades do que passou, mas feliz pelo que está por vir... bjos

    ResponderExcluir
  4. Amiga,

    Hj vi que meu comentário não foi postado!!!
    Vamos lá; primeiro foi e é muito bom compartilhar a vida com vcs amigas queridas...estes momentos que vc descreveu tão bem foram inesquecíveis.
    Obrigada a todas por estarem sempre perto de mim, amo vcs mto mto!!!
    Ma

    ResponderExcluir